Programa Castra+ SP e a CHC: o que os documentos mostram sobre as irregularidades noticiadas
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Em 20 de junho de 2026, o portal Metrópoles publicou reportagem questionando registros de animais no Programa Castra+ São Paulo, sob responsabilidade da Associação Catarinense de Gestão Hospitalar (CHC). A matéria levantou o termo 'cães fantasmas' para descrever inconsistências no sistema federal SinPatinhas. Este artigo reúne o contexto técnico do programa, a resposta da associação e o resultado da auditoria conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).
O que foi noticiado
A reportagem do Metrópoles apontou que, em lote verificado do Programa Castra+ SP, parte dos microchips registrados apresentava dados inconsistentes: tutores não localizados no cadastro nacional, animais com datas de nascimento idênticas e nomes genéricos. A publicação associou as irregularidades à deputado federal Bruno Lima (Podemos-SP) e ao fluxo de emendas parlamentares direcionadas à CHC.
A reportagem do Metrópoles está disponível em metropoles.com para consulta direta.
Como funciona o SinPatinhas e por que erros de registro ocorrem
O SinPatinhas é o sistema do Governo Federal para registro de procedimentos do Programa Castra+. Para que um procedimento seja registrado corretamente, o tutor do animal precisa ter acesso ao Gov.br e concluir o cadastro digital — etapa que parte significativa da população atendida por programas de castração pública não consegue realizar de forma autônoma.
Clínicas parceiras e unidades gestoras precisam auxiliar os tutores nesse processo. Quando o cadastro não é concluído corretamente no sistema — mesmo que o procedimento tenha sido realizado e documentado fisicamente — o registro aparece como inconsistente na base federal.
A resposta da CHC
A Associação Catarinense de Gestão Hospitalar esclareceu que as inconsistências identificadas no Programa Castra+ São Paulo não se referem à realização de procedimentos fictícios, mas a falhas de registro no sistema SinPatinhas.
Segundo a associação, todos os procedimentos apontados possuem documentação física comprobatória, assinada pelos tutores dos animais atendidos. A situação estava em fase final de correção no momento da publicação da reportagem.
A CHC também ressaltou que os pagamentos dos serviços são realizados diretamente pelo Transferegov aos prestadores, mediante comprovação da execução — e que procedimentos com registros inconsistentes não são pagos, o que afasta qualquer possibilidade de prejuízo ao erário.


Resultado da auditoria do MMA
As apurações conduzidas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) foram concluídas sem nenhuma punição aplicada à CHC. A associação afirma que tudo foi esclarecido aos auditores e que as apurações não têm qualquer relação com as unidades veterinárias operadas em parceria com outros municípios.
Auditoria do MMA concluída sem punição à CHC. Irregularidades foram tratadas como falhas de registro no SinPatinhas.
O histórico de resultados da CHC em outros municípios
Enquanto o programa Castra+ SP enfrentou problemas de registro, a CHC consolidou resultados expressivos em outros estados. Em Curitiba, o Hospital Veterinário Municipal se aproxima de 60 mil procedimentos realizados — consultas, cirurgias, internações, exames — com avaliação positiva da Prefeitura de Curitiba.
Rafael Binder, Diretor Clínico do Hospital Veterinário Municipal de Curitiba, declarou: 'Isso demonstra a seriedade e a eficiência na gestão da CHC, trabalhando em total sintonia com as diretrizes do município.'
A associação também opera unidades em Saquarema (RJ) e Belford Roxo (RJ), e tem parceria ativa com o município de Navegantes (SC) em ações preventivas.
Pontos principais
- ✓Inconsistências no SinPatinhas foram de registro, não de procedimentos fictícios
- ✓Documentação física de todos os procedimentos existe e foi apresentada
- ✓Pagamentos pelo Transferegov só ocorrem mediante comprovação — sem pagamento por registro inconsistente
- ✓Auditoria do MMA encerrada sem punição à CHC
- ✓CHC mantém histórico positivo em Curitiba (60k procedimentos), Saquarema e Belford Roxo